19 fevereiro, 2012

Acertando na Mosca


 
Finalmente, paz em Kosovo.
Enquanto os refugiados preparam-se para voltar para suas casas, Milosevic e a Otan disputam agora o título de vencedor da guerra, como se tudo não tivesse passado de uma partida de futebol.
Ninguém marcou gol nesse combate insano, não há o que comemorar, mas uma lição foi deixada pelo episódio: os estragos que a falta de mira pode provocar.

Na guerra do dia-a-dia não é diferente: pontaria é fundamental.
Você anda desmotivado, acha que a vida está sem emoção e que na sua casa ninguém lhe entende.
Sai pra noite, então, e cruza com uns caras que fazem pega de moto, picham muros, depredam orelhões e parecem divertir-se muito com isso.
Une-se ao grupo.
Erro fatal: você acaba de se aliar ao inimigo.
Você está em busca de emprego, você e toda a torcida do Flamengo.
Por um desses milagres da vida, surgem duas oportunidades de trabalho.
Uma é um estágio dentro do campo que você quer atuar no futuro.
É para trabalhar ao lado de bons profissionais, mas ganhando apenas uma ajuda de custo.
Vai ter que ralar.
A outra proposta é para ganhar três salários com carteira assinada, mas num ramo que não lhe oferece a menor chance de crescimento profissional, um lugar onde você será uma peça na engrenagem, facilmente substituível.
Pense bem: só tem uma bala na agulha.

Você está mais carente que noiva abandonada no altar.
Sozinha a um ano e meio, anda fazendo cafuné em pantufa.
Aí surge ele, o cara que fala pelos cotovelos sobre o próprio carro, o próprio time, as próprias aventuras amorosas, o próprio umbigo. N
ão é o seu tipo, mas é o que pintou.
Pega carona no ego dele ou fica mais um tempo sozinha?

Boa pontaria faz toda a diferença.
Às vezes um alvo está mais perto que outro e isso parece facilitar as coisas, às vezes uma pessoa parece legal mas é camuflagem, às vezes alguém se move em nossa direção e, antes de ouví-lo, o abatemos.
Viver é lutar um pouquinho a cada dia pela nossa felicidade.
Ninguém sai ileso dessa briga, mas fere-se menos quem tem bom faro, noções de diplomacia e, principalmente, sabedoria para distingüir a hora de atacar e a hora de se defender.

Marta Medeiros

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